Bócio multinodular e tireoide: qual a relação?

Atualizado em: 14 de julho de 2025.
Temo de leitura: 3 min.

Profissional da saúde segurando um modelo anatômico da glândula tireoide e indicando-o com uma caneta.

O bócio multinodular é uma alteração da tireoide que forma múltiplos nódulos na glândula, podendo afetar sua função e gerar desconfortos estéticos e clínicos. Comum em pessoas acima dos 40 anos, pode ser silencioso por anos até crescer e interferir em estruturas próximas. Entenda mais sobre esse assunto!

O bócio multinodular é uma condição caracterizada pelo aumento da glândula tireoide com a presença de múltiplos nódulos em seu interior.

Na maioria dos casos, é assintomático, mas pode causar desconforto estético, compressão cervical, desconforto para engolir e para respirar e até alterações hormonais, dependendo da funcionalidade dos nódulos presentes. 

Fatores como deficiência de iodo, predisposição genética e alterações autoimunes podem contribuir para seu desenvolvimento.

Neste artigo, abordaremos o que é o bócio multinodular e como ele se forma, os sintomas e quando ele exige mais atenção, além das opções de tratamento mais indicadas. Leia até o final e saiba mais!

O que é o bócio multinodular e como ele se forma

O bócio multinodular é o crescimento anormal da glândula tireoide com a formação de dois ou mais nódulos em sua estrutura. Esses nódulos podem ser sólidos ou císticos e variam de tamanho e função, podendo ou não produzir hormônios tireoidianos.

Na maioria dos casos, o desenvolvimento é gradual, resultado de estímulos repetidos que causam proliferação celular desorganizada. Isso pode ocorrer por:

  • Deficiência prolongada de iodo na dieta
  • Alterações hormonais crônicas com estímulo excessivo do TSH
  • Envelhecimento da glândula tireoide
  • Predisposição genética
  • Inflamações crônicas ou autoimunes

A formação do bócio pode começar como um nódulo único e evoluir com o tempo para múltiplos nódulos. 

Embora nem todos causem disfunções hormonais, alguns se tornam “autônomos”, ou seja, funcionam de forma independente do controle do organismo, produzindo excesso de hormônios e levando ao hipertireoidismo.

O diagnóstico é geralmente feito por meio de exames de imagem, como o ultrassom da tireoide, associado à avaliação dos níveis hormonais e, em alguns casos, à punção aspirativa para análise citológica.

Sintomas e quando o bócio multinodular requer atenção

Muitos casos de bócio multinodular permanecem silenciosos por anos, sem causar sintomas ou interferir na qualidade de vida. 

No entanto, com o crescimento dos nódulos, sinais clínicos podem surgir, especialmente pela compressão de estruturas vizinhas ou alterações hormonais.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Sensação de pressão ou “bola” na garganta
  • Dificuldade para engolir ou respirar
  • Rouquidão ou alterações na voz
  • Crescimento visível na parte anterior do pescoço
  • Palpitações e perda de peso

É fundamental ficar atento aos sinais de alarme, como:

  • Aumento rápido de volume do bócio
  • Dor local persistente
  • Nódulos endurecidos e aderidos
  • Presença de linfonodos aumentados na região do pescoço

Esses sinais podem indicar a necessidade de investigação mais aprofundada, inclusive para descartar malignidade. 

O acompanhamento regular com um médico é essencial, especialmente em pacientes com histórico familiar de câncer de tireoide ou doenças autoimunes.

Tratamento e acompanhamento do bócio multinodular

O tratamento do bócio multinodular depende do tamanho, sintomas e da função hormonal da glândula. Casos pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados com exames periódicos e avaliação clínica.

As principais opções terapêuticas incluem:

  • Acompanhamento clínico com exames regulares
  • Uso de medicamentos para controlar disfunções hormonais
  • Terapia com iodo radioativo (em casos de hipertireoidismo)
  • Cirurgia para remoção parcial ou total da tireoide (tireoidectomia)

A cirurgia costuma ser indicada quando:

  • Há sintomas compressivos importantes
  • Os nódulos aumentam rapidamente
  • Há suspeita ou confirmação de malignidade
  • O paciente apresenta hipertireoidismo de difícil controle
  • Importante salientar que quando o bócio tem nódulos, o tratamento de primeira escolha é a cirurgia

Após a cirurgia, pode ser necessário o uso de reposição hormonal com levotiroxina para manter os níveis de TSH estáveis. 

A decisão sobre o melhor tratamento deve ser feita de forma individualizada, considerando o histórico do paciente, os riscos envolvidos e as expectativas com relação à função da tireoide e à qualidade de vida.

Autor

Dr. Marcelo Schalch

CRM 164050-SP

RQE Nº 105906

  • Médico formado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
  • Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Instituto do Câncer Doutor Arnaldo