Esvaziamento cervical

O esvaziamento cervical é essencial no tratamento de diversos cânceres de cabeça e pescoço. Ele remove linfonodos que podem conter células tumorais e contribui para evitar a disseminação da doença. Entender quando e como é feito esse procedimento ajuda no preparo e na recuperação. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

O esvaziamento cervical é um procedimento cirúrgico indicado para remover os linfonodos do pescoço em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, como nos casos de tumores na laringe, faringe, tireoide, boca ou glândulas salivares.

Sua principal função é retirar possíveis focos de metástase linfonodal, auxiliando no controle da doença e aumentando as chances de cura. A extensão do esvaziamento depende do tipo e estágio do tumor.

Neste artigo, abordaremos as indicações deste procedimento, como ele é realizado e quais os cuidados necessários no período pós-operatório. Leia até o final e saiba mais!

Quais as indicações desse procedimento

O esvaziamento cervical é indicado em casos de câncer de cabeça e pescoço quando existe risco ou confirmação de metástase nos linfonodos cervicais. Esse tipo de disseminação linfática é comum em tumores de áreas como:

A decisão de realizar o esvaziamento pode ocorrer de forma profilática (preventiva), mesmo sem confirmação de metástases, ou de forma terapêutica, quando os linfonodos acometidos já foram detectados por exames clínicos e de imagem. 

Tumores com maior risco de disseminação, como os de língua, assoalho bucal ou orofaringe, muitas vezes requerem esvaziamento cervical mesmo quando os linfonodos ainda não são palpáveis.

Além disso, ele pode ser necessário quando:

  • Há linfonodos aumentados no exame físico
  • A biópsia de linfonodo indica presença de células tumorais
  • Exames de imagem (ultrassonografia, tomografia ou PET-CT) mostram alterações suspeitas nos linfonodos

A indicação correta depende da localização e agressividade do tumor primário, além do estadiamento geral da doença. O objetivo principal é controlar a disseminação do câncer, reduzir o risco de recidiva e melhorar o prognóstico do paciente.

Como é realizado esse procedimento

O esvaziamento cervical é uma cirurgia realizada sob anestesia geral. O procedimento consiste na remoção seletiva, modificada ou radical dos linfonodos e tecidos adjacentes do pescoço, dependendo do grau de disseminação do câncer. 

A escolha da técnica cirúrgica considera a extensão do tumor e o número de linfonodos comprometidos.

Tipos principais de esvaziamento cervical:

  • Esvaziamento seletivo: retira apenas grupos específicos de linfonodos, preservando estruturas importantes como nervos, vasos e músculos
  • Esvaziamento radical modificado: remove os linfonodos de forma mais ampla, mas preserva ao menos uma das estruturas principais (nervo acessório, veia jugular ou músculo esternocleidomastoideo)
  • Esvaziamento radical: mais agressivo, remove linfonodos e as três estruturas mencionadas quando estas estão comprometidas pela doença

Durante a cirurgia:

  • É feita uma incisão no pescoço, geralmente em formato de “colar” ou linear
  • O cirurgião identifica e disseca cuidadosamente os tecidos, removendo os linfonodos e respeitando estruturas nobres
  • Pode haver necessidade de esvaziamento bilateral, se houver risco de disseminação nos dois lados do pescoço
  • A incisão é suturada e um dreno é deixado para evitar acúmulo de líquidos

Como é o período pós-operatório desse procedimento e quais os cuidados necessários

O pós-operatório do esvaziamento cervical exige cuidados rigorosos, pois envolve uma região com estruturas importantes e grande movimentação. A recuperação costuma variar entre uma e duas semanas, com restrições temporárias nas atividades do dia a dia.

Entre os principais cuidados no pós-operatório, destacam-se:

  • Manter a ferida limpa e seca, seguindo as orientações médicas
  • Evitar esforços físicos e movimentos bruscos do pescoço, especialmente nos primeiros dias
  • Uso de medicamentos prescritos, como analgésicos e antibióticos
  • Fisioterapia precoce, quando indicada, para prevenir rigidez cervical e recuperar a amplitude de movimento
  • Atenção a sinais de infecção ou acúmulo de líquido, como dor intensa, inchaço ou febre

O dreno colocado na cirurgia é geralmente retirado em até 48 horas, dependendo da quantidade de secreção. 

A cicatrização costuma ocorrer sem grandes complicações, mas o paciente pode sentir dormência ou formigamento na região operada, o que tende a melhorar com o tempo.

Complicações como lesão de nervos, hematoma ou seroma são raras quando a cirurgia é bem indicada e executada por profissionais especializados. 

O acompanhamento contínuo é essencial para avaliar a evolução clínica e planejar tratamentos complementares, se necessário. A adesão às orientações pós-operatórias faz toda a diferença na recuperação.

Autor

Dr. Marcelo Schalch

CRM 164050-SP

RQE Nº 105906

  • Médico formado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
  • Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Instituto do Câncer Doutor Arnaldo