Bócio

O bócio é o aumento da glândula tireoide e pode indicar alterações hormonais e inflamatórias. Pode causar sintomas como dificuldade para engolir ou respirar, dependendo do tamanho. Conhecer as causas, sintomas e tratamentos ajuda na prevenção e controle dessa condição comum. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

O bócio é uma condição caracterizada pelo aumento anormal da glândula tireoide, localizada na parte anterior do pescoço. 

Esse aumento pode ser visível ou detectado apenas por exames clínicos e de imagem, e pode ou não estar associado a alterações hormonais. 

O bócio pode ter diferentes causas, como deficiência de iodo, doenças autoimunes e fatores genéticos. 

A prevalência de bócio no Brasil diminuiu significativamente após a iodação do sal, com média nacional de 1,8% entre os escolares. 

Neste artigo, abordaremos o que é, quais causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!

Quais as causas do bócio?

O bócio pode ter diversas causas, dependendo da sua classificação (bócio endêmico, esporádico, difuso ou nodular). As principais causas incluem:

  • Deficiência de iodo: comum em áreas com baixo consumo de sal iodado, leva ao aumento compensatório da tireoide
  • Doenças autoimunes: como a Doença de Hashimoto ou Doença de Graves, que afetam a função tireoidiana
  • Distúrbios hormonais: alterações nos níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide) podem causar crescimento glandular
  • Fatores genéticos e hereditários
  • Uso de certos medicamentos ou exposição a substâncias bociogênicas

Em muitos casos, a origem do bócio é multifatorial. A avaliação médica é fundamental para identificar a causa exata e direcionar o tratamento adequado, especialmente em regiões onde a deficiência de iodo ainda é um problema de saúde pública.

Quais os sintomas do bócio?

O bócio pode ser assintomático ou apresentar sintomas de acordo com seu tamanho e impacto sobre estruturas vizinhas e função hormonal. Os principais sintomas incluem:

  • Inchaço visível na parte anterior do pescoço
  • Sensação de pressão ou aperto na garganta
  • Dificuldade para engolir (disfagia)
  • Rouquidão ou alteração da voz, quando há compressão dos nervos
  • Dificuldade para respirar, principalmente ao deitar-se
  • Sintomas de hipotireoidismo ou hipertireoidismo, como fadiga, ganho ou perda de peso, irritabilidade e sudorese excessiva

A progressão do bócio pode levar a sintomas mais acentuados, exigindo avaliação médica detalhada. 

Mesmo em casos leves, o acompanhamento é importante para evitar complicações futuras e iniciar o tratamento quando necessário.

Como é feito o diagnóstico do bócio?

O diagnóstico do bócio é clínico e confirmado por exames complementares. O processo normalmente inclui:

  • Exame físico: o médico palpa o pescoço para detectar aumento da tireoide ou nódulos
  • Exames laboratoriais: dosagem de TSH, T3 e T4 para avaliar a função hormonal da tireoide.
  • Ultrassonografia da tireoide: principal exame de imagem, avalia tamanho, textura e presença de nódulos
  • Cintilografia tireoidiana: usada para avaliar o funcionamento dos nódulos (quentes ou frios)
  • Punção aspirativa com agulha fina (PAAF): indicada em casos de nódulos suspeitos, para análise citológica.

A combinação desses exames permite determinar o tipo de bócio, sua gravidade e a necessidade de acompanhamento ou tratamento mais específico.

Como é feito o tratamento do bócio?

O tratamento do bócio depende da causa, tamanho da glândula e sintomas associados. As opções incluem:

  • Acompanhamento clínico: indicado para bócios pequenos, assintomáticos e com função tireoidiana normal
  • Reposição hormonal (levotiroxina): usada para reduzir o tamanho da tireoide em casos de hipotireoidismo
  • Uso de iodo radioativo: recomendado em alguns casos de hipertireoidismo ou bócio multinodular tóxico
  • Cirurgia (tireoidectomia): indicada quando há:
    • Crescimento significativo do bócio
    • Compressão de estruturas do pescoço
    • Suspeita de malignidade

O endocrinologista e/ou o cirurgião de cabeça e pescoço são os profissionais mais indicados para definir o melhor plano terapêutico, com base na individualidade de cada paciente.

Assim, o bócio representa uma condição frequente e multifatorial, com manifestações que vão desde alterações estéticas até comprometimentos respiratórios e hormonais. 

A identificação precoce, por meio de exames clínicos e laboratoriais, permite um manejo mais eficaz, seja com acompanhamento, medicação ou intervenção cirúrgica. O tratamento adequado melhora a qualidade de vida e previne complicações.

Autor

Dr. Marcelo Schalch

CRM 164050-SP

RQE Nº 105906

  • Médico formado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
  • Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Instituto do Câncer Doutor Arnaldo