Tumores de amígdala

 Os tumores de amígdala, silenciosos no início, podem evoluir rapidamente de forma agressiva. Estão associados ao HPV e ao uso de tabaco e álcool. O diagnóstico precoce é essencial para melhores resultados e qualidade de vida do paciente. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

As amígdalas, localizadas na parte posterior da garganta, fazem parte do sistema imunológico e ajudam a proteger o organismo contra infecções.

No entanto, como qualquer tecido do corpo, podem desenvolver alterações anormais que levam à formação de tumores.

Os tumores de amígdala podem ser benignos, mas, em muitos casos, são malignos e requerem atenção médica imediata.

Os tumores de amígdala estão em ascensão, com 98.400 novos casos de câncer de orofaringe estimados em 2020, predominando em homens. 

No Brasil, entre 2020 e 2022, foram registrados cerca de 15.190 novos casos anuais de câncer de boca e orofaringe.

Neste artigo, abordaremos o que é, quais as causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!

Quais as causas de Tumores de Amígdala?

Os tumores de amígdala podem ser causados por diversos fatores, sendo os mais comuns:

  • Infecção por HPV (papilomavírus humano): especialmente o subtipo 16, está fortemente associado a tumores de orofaringe, incluindo amígdalas
  • Tabagismo: o consumo regular de cigarro aumenta significativamente o risco
  • Álcool: seu uso combinado com o tabaco eleva ainda mais a probabilidade de câncer
  • Predisposição genética: embora menos comum, pode ter influência
  • Baixa imunidade: pessoas com imunossupressão estão mais suscetíveis

A exposição prolongada a esses fatores pode causar mutações nas células das amígdalas, levando à formação de tumores. 

Os tumores malignos, como o carcinoma espinocelular, são os mais frequentemente diagnosticados nesse local. 

A prevenção é possível com a redução ou eliminação dos fatores de risco, especialmente através da vacinação contra o HPV e abandono do tabagismo.

Quais os sintomas de Tumores de Amígdala?

Os tumores de amígdala, especialmente em fases iniciais, podem não causar sintomas evidentes. Com a progressão da doença, os sinais mais comuns incluem:

  • Dor persistente na garganta, mesmo sem infecção
  • Dificuldade ou dor ao engolir (odinofagia)
  • Sensação de corpo estranho ou nódulo na garganta.
  • Alterações na voz, como rouquidão.
  • Nódulo palpável no pescoço, por metástase para os linfonodos cervicais.
  • Halitose (mau hálito persistente)
  • Perda de peso inexplicada em casos mais avançados

A persistência desses sintomas por mais de duas semanas deve motivar uma avaliação médica. 

Em geral, pacientes tendem a buscar ajuda tardiamente, o que pode dificultar o tratamento e reduzir a chance de cura.

Como é feito o diagnóstico de Tumores de Amígdala?

O diagnóstico de tumores de amígdala começa com uma avaliação clínica detalhada, que inclui a inspeção da orofaringe e a palpação do pescoço. Os principais métodos diagnósticos são:

  • Nasofibroscopia: exame endoscópico que permite visualizar as amígdalas e estruturas adjacentes
  • Biópsia: coleta de fragmentos da lesão suspeita para análise histopatológica
  • Exames de imagem, como:
    • Tomografia computadorizada (TC)
    • Ressonância magnética (RM)
    • PET-CT, para avaliar extensão e metástases

Além disso, exames laboratoriais podem ser solicitados, e a detecção de HPV nos tecidos pode indicar uma origem viral. 

O estadiamento da doença (classificação por tamanho e disseminação) é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura e menor a complexidade do tratamento.

Como é feito o tratamento de Tumores de Amígdala?

O tratamento de tumores de amígdala depende do tipo histológico, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente. As principais abordagens incluem:

  • Cirurgia: remoção da amígdala afetada e, se necessário, linfadenectomia (retirada de linfonodos)
  • Radioterapia: indicada para tumores localmente avançados ou como adjuvante após cirurgia
  • Quimioterapia: usada em casos mais agressivos ou com metástase, associada à radioterapia (quimiorradioterapia)
  • Terapia-alvo ou imunoterapia: em situações específicas, dependendo da biologia do tumor

O tratamento multidisciplinar, envolvendo cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista e radioterapeuta, é essencial para melhores resultados. A reabilitação fonoaudiológica e nutricional também faz parte do processo, contribuindo para a recuperação funcional e da qualidade de vida.

Assim, os tumores de amígdala representam uma condição séria que exige atenção rápida e tratamento adequado. 

Fatores de risco como HPV, tabagismo e álcool devem ser evitados para reduzir a incidência dessa neoplasia. 

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso terapêutico e preservação da qualidade de vida do paciente.

Autor

Dr. Marcelo Schalch

CRM 164050-SP

RQE Nº 105906

  • Médico formado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
  • Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Instituto do Câncer Doutor Arnaldo