Hipertireoidismo: tratamento com ou sem cirurgia?

Atualizado em: 26 de agosto de 2025.
Temo de leitura: 4 min.

Glândula tireoide em destaque no pescoço humano, mostrada em tom rosado, ilustrando sua anatomia e localização no corpo.

O hipertireoidismo é uma condição que acelera o metabolismo e pode afetar gravemente a saúde se não for tratada. O tratamento pode ser feito com medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da gravidade e da causa da doença. Entenda mais sobre esse assunto!

O hipertireoidismo é um distúrbio em que a glândula tireoide produz hormônios em excesso, acelerando o metabolismo e afetando diversas funções do corpo.

Os sintomas podem incluir perda de peso, ansiedade, sudorese excessiva, palpitações e intolerância ao calor.

Essa condição pode ser causada por doenças como a Doença de Graves, bócios multinodulares tóxicos ou nódulos autônomos. 

O tratamento varia conforme o tipo, a gravidade do quadro e a resposta do paciente aos métodos iniciais.

Neste artigo, abordaremos as opções de tratamento medicamentoso, o uso do iodo radioativo e quando a cirurgia se torna necessária. Leia até o final e saiba mais!

Tratamento medicamentoso: quando e como usar

O tratamento medicamentoso é geralmente a primeira escolha para muitos casos de hipertireoidismo, especialmente em pacientes com quadros leves ou moderados e na fase inicial da doença. Os remédios usados ajudam a controlar a produção excessiva dos hormônios da tireoide.

Os principais medicamentos incluem:

  • Metimazol
  • Propiltiouracil (PTU)
  • Betabloqueadores (para controle dos sintomas)

Essas medicações reduzem a função da tireoide e aliviam os sintomas associados à condição, como taquicardia, tremores e nervosismo. 

O metimazol é o mais usado devido à sua ação prolongada e menor toxicidade hepática, exceto em gestantes, que geralmente recebem PTU no primeiro trimestre.

O tempo de tratamento pode variar entre 12 e 24 meses, com controle periódico de exames hormonais. 

A remissão ocorre em cerca de 30% a 50% dos casos, mas muitos pacientes podem ter recidiva e necessitar de tratamentos adicionais no futuro.

A escolha pelo tratamento medicamentoso também depende da preferência do paciente, do acesso à medicação e da presença de outras condições clínicas que contraindiquem outras abordagens.

Iodo radioativo: como funciona e para quem é indicado

O tratamento com iodo radioativo é uma opção bastante eficaz e amplamente utilizada nos casos de hipertireoidismo, principalmente na Doença de Graves e nos bócios tóxicos multinodulares. O iodo é administrado por via oral e se acumula na tireoide, destruindo parte do tecido glandular hiperativo.

Esse método é indicado em pacientes que:

  • Não responderam bem aos medicamentos
  • Têm contraindicações para cirurgia
  • Desejam uma solução definitiva
  • Apresentam recorrência após tratamento medicamentoso

A maioria dos pacientes apresenta melhora dos sintomas em semanas ou poucos meses após o tratamento.

Um dos efeitos colaterais mais comuns é o hipotireoidismo, que pode surgir como consequência da destruição do tecido tireoidiano. 

Nesses casos, é necessário iniciar tratamento com reposição hormonal (levotiroxina) de forma contínua.

O iodo radioativo não é recomendado em gestantes ou mulheres que estão amamentando, e também deve ser evitado em crianças.

Quando a cirurgia é necessária no tratamento

A cirurgia para tratar o hipertireoidismo, chamada tireoidectomia, é indicada em casos específicos, geralmente quando outras formas de tratamento não são eficazes ou quando há risco aumentado de complicações. 

O procedimento consiste na retirada parcial ou total da glândula tireoide.

As principais indicações para a cirurgia são:

  • Nódulos suspeitos ou com risco de malignidade
  • Bócios volumosos que causam compressão no pescoço
  • Recusa ou falha no tratamento medicamentoso ou com iodo
  • Reações adversas graves aos medicamentos antitireoidianos
  • Preferência do paciente por solução cirúrgica definitiva

A cirurgia pode ser total ou subtotal, dependendo da causa do hipertireoidismo e da anatomia do paciente. Após a tireoidectomia total, é necessário fazer reposição hormonal pelo resto da vida.

Embora eficaz, a cirurgia envolve riscos como sangramento, infecção, lesão das cordas vocais e alterações do cálcio no sangue devido à retirada ou lesão das paratireoides.

A decisão pela cirurgia deve ser bem discutida com o médico, considerando as vantagens e desvantagens, o quadro clínico e as preferências do paciente.

Perguntas Frequentes:

O que é o hipertireoidismo e quais os sintomas mais comuns?

É um distúrbio em que a tireoide produz hormônios em excesso. Pode causar perda de peso, palpitações, sudorese, ansiedade, tremores e intolerância ao calor.

Quando o tratamento medicamentoso é indicado?

Geralmente em casos leves ou moderados e na fase inicial da doença. Os medicamentos ajudam a controlar a produção hormonal e os sintomas, mas podem ter recidiva.

Como funciona o tratamento com iodo radioativo?

O iodo é ingerido por via oral e destrói o tecido tireoidiano hiperativo. É indicado em casos de recidiva, falha medicamentosa ou contraindicação cirúrgica, mas pode causar hipotireoidismo.

Em quais situações a cirurgia é necessária?

Quando há nódulos suspeitos, bócios volumosos, falha ou intolerância a outros tratamentos, ou pela preferência do paciente por uma solução definitiva.

Após a cirurgia de tireoidectomia, é preciso tomar hormônio para sempre?

Sim. Na maioria dos casos de tireoidectomia total, é necessária a reposição hormonal contínua com levotiroxina para manter o equilíbrio metabólico.

Autor

Dr. Marcelo Schalch

CRM 164050-SP

RQE Nº 105906

  • Médico formado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
  • Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Instituto do Câncer Doutor Arnaldo